E esse bebê que não nasce

loremipsum // 20 de abril de 2018

O dia está cinza, os passarinhos estão cantando e eu acabei de abrir os meus olhos de uma noite cheia de trocas de posições, já que o quadril do final da gestação está me matando e não me deixa ficar em uma única posição.

O primeiro pensamento foi o mesmo dos últimos dias “eu não acredito que não estou no hospital, que minha bolsa não estourou no meio da noite…”. Este tem sido os pensamentos das últimas manhãs, mas este veio com um sentimento imenso de levantar, trocar de roupa e sair andando pelas ruas para sentir um pouco o vento, ouvir os passarinhos mais de perto e sair do sufoco que minha cama parecia estar me causando.

Não fui, não fiz nada disso! Levantei e conscientemente me dei o direito de terminar meu pacote de bolacha Passatempo, mesmo sabendo que o açúcar me faz mal. Sentei no sofá, tentando fazer o menor barulho possível para que a Valentina não ativasse seu sinal “mamãe acordou”e eu conseguisse pelo menos tentar ajustar meus pensamentos. Foi em vão! Em poucos minutos a porta da sala se abriu e aquele serzinho todo descabelado já estava ao meu lado pronunciando sua frase preferida “Mamãe, estou com fome”.

Levantei, fiz o café da manhã dela e comecei a pensar o que eu poderia fazer para não deixar meus pensamentos irem mito distante. Lavei a louça, pensando que a possibilidade de ela não chegar até a minha mãe embarcar para o Brasil estava crescendo. Varri o chão da cozinha, pensando que a sensação agora era de que eu tinha mais uns 5 meses de gestação pela frente, já que um nascimento prematuro tinha sido considerado e agora com quase 40 semanas, ela não vinha. Arrumei as camas, assisti um relato de parto que não me agradou, organizei a sala e continuava pensando e pensando.

Olhei para o computador e senti a necessidade de entrar aqui, depois de um ano e escrever. A ideia não era essa! A ideia era recomeçar o blog com um lindo post sobre o nascimento de dona Isabella, mas quem se importa em esperar se a necessidade de se expressar vem agora?

Os dias que antecedem a chegada de uma vida pode de fato ser emocionalmente desgastante. Neste meu momento eu me divido em muitos pensamentos! Eu me divido em querer que ela venha logo e em querer que ela chegue apenas quando for o tempo dela. Mas e se o tempo dela não estiver de acordo com o voo já comprado de volta para o Brasil da minha mãe? Ah neste caso eu agradeço muito porque a minha mãe nem viria nos visitar nesta época e chegou nas semanas certinhas de férias da Tina. Eu agradeço porque ela está me ajudando com a casa, com a Tina, com a comida, com a roupa e com o emocional de ter a mãe por perto.

Mas eu queria tanto que ela estivesse aqui pelo menos nas duas primeiras semanas da Isabella. Ah é verdade, eu logo lembro, não tem mais duas semanas! Temos apenas uma, para ela ao menos conseguir conhecer a Isabella. Mas tudo bem, minha racionalidade me lembra, ao menos ela está aqui e vai conseguir ver ela nascer. Mas e se não der tempo? Tudo bem porque o que importa é que ela está aqui agora…

E assim eu sigo em um looping de pensamentos malucos de agradecimentos, choros, vontade de coisas que não estão no meu controle e por aí vai!

A conclusão final, que na verdade nem é final já que o até o final do dia minha cabeça vai passar por muitas outras conclusões, é que eu confio “no Senhor e o mais Ele fará” mas que meu lado humano precisa passar e sentir por tudo isso, mesmo confiando em Deus.

A ideia de que quem confia em Deus não sofre, não me agrada e é enganosa! Você confia, chora e se sente abraçada. E isto só prova que somos humanos!

Assim eu termino meu primeiro post depois de um ano sem escrever por aqui, sem fim, sem conclusão e ainda com as ideias bem misturadas aqui na cabeça! 😀

Um beijo

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