Como está o emocional dos nossos filhos?

loremipsum // 25 de julho de 2016

Hoje pela manhã resolvi assistir um episódio de um programa chamado Consultório de Família do canal Novo Tempo e o assunto era sobre educação emocional. Comecei a assistir e me fazer uma infinidade de perguntas e confesso que comecei a entrar em parafuso.

Quanta informação e verdade ao mesmo tempo em um único programa! Estavam lá 2 psicólogas e 1 psiquiatra e enquanto eles iam falando muitas imagens sobre a educação da Tina começaram a passar na minha cabeça. Entre o pensamento de: Nossa como nos cobramos como mães! Nossa como por mais certinho que tentemos fazer sempre vai ter alguma coisa fora do eixo!  Estava também o pensamento de: Caramba eu preciso mudar algumas coisas por aqui e depende de mim!

Aí está a beleza de poder pesquisar e receber novas informações todos os dias. Somos tão privilegiados por conseguir ter este tipo de informação tão perto de nós! É claro que com tudo isso também é preciso discernimento para filtrar e absorver aquilo que realmente é relevante e não tudo que vemos.

Então gostaria de dividir com você, leitora (ou leitor), o que aprendi com este programa e falando já na visão de mãe.

O que estamos fazendo com o emocional dos nossos filhos? O mundo hoje diz que devemos ser fortes, conquistar uma boa faculdade, conseguir um bom emprego, viver, passar por cima de todas as frustrações sem dar tempo de pensar muito bem no que os sentimentos estão querendo nos dizer. Acontece que isso está fazendo com que os quadros de depressão aumentem de forma gritante porque, um dia o corpo grita por estarmos exigindo tanto de nós e consecutivamente dos nossos filhos.

Um exemplo muito simples é quando dizemos para a criança parar de chorar porque sabemos que o choro é por um motivo bobo, porque muitas vezes nos irrita (vamos ser sinceros) e porque ele  te, que ser forte, mas esquecemos que os nossos filhos não sabem disso e para ele naquele momento, com aquela idade o choro faz sentido. Muitas vezes acabamos não abaixando e perguntando, mesmo já sabendo a resposta, o porque ele está chorando. Não damos a oportunidade da criança expressar o que está sentindo.

Não estamos deixando nossos filhos aprenderem quais são os sentimentos que temos como pessoas. Quando crescerem eles não saberão identificar tristeza, angustia, perda etc.

Outro exemplo que me chocou é sobre a tecnologia! Eu não sou fã de deixar as crianças com tablets nas mãos, mas confesso que a Tina assiste e se não controlarmos ela quer ver isso o tempo todo. Mas eu sempre achei que este é mundo que eles nasceram e que ter contato com esta tecnologia seria inevitável e nenhum artigo que eu li antes sobre o assunto me convenceu a não deixar a Tina ter contato com este mundo.

Acontece que no meio do programa eu ouvi que por muitas vezes os pais acabam dando o celular para as crianças para parar um choro. No carro a criança está entediada por ficar ali na cadeirinha sentada sem “fazer nada” e começa a chorar. Qual a solução? Instalar um tablet no banco de trás! No restaurante a criança não quer ficar ali sentada e começa a chorar, querer descer da cadeirinha porque ela quer brincar e não entende o porque tem que ficar ali com os adultos sentadinha. Qual a solução? Apoia o celular no saleiro e coloca uma musiquinha para ela ficar quietinha.

Você entendeu o ponto? Estamos mascarando os sentimentos das crianças com a tecnologia ou com a nossa falta de paciência para conversar e escutar!!!! Elas não aprendem a lhe dar com frustração, tédio, ansiedade, fome etc etc etc porque não mostramos como ela deve controlar aquele sentimento e não queremos, mesmo que inconscientemente, ensinar que ela precisa passar por aquele momento.

A minha opinião sobre o inevitável contato com a tecnologia dos nossos filhos não mudou. Este é o mundo que eles nasceram, mas o que eu acho é que temos que ter isso bem controlado em momentos esporádicos e que não seja para parar um choro ou controlar algo que não queremos passar por causa do nosso cansaço do dia.

O que eu quero dizer com tudo isso é que talvez tenhamos que parar e pensar melhor se estamos ensinando os nossos filhos a lhe darem com os sentimentos ou se estamos, ainda que com sutileza sem perceber, substituindo esta compreensão por elementos eletrónicos ou com nossa fala de paciência.

Querida mamãe (ou papai) pense com carinho nisso, o futuro emocional do seu filho depende inteiramente de você! Se você acha que também não sabe lhe dar com os seus sentimentos procure uma ajuda, concerte isso em você para conseguir ensinar o seu filho.

Espero ter sido claro e não muito confusa nos meus pensamentos que estão fervendo depois de me dar conta de um assunto tão importante.

Um beijo enorme.
Tamires Heredia