Como ajudar o seu filho na hora da birra

loremipsum // 4 de maio de 2016

Olááááá meninas e meninos (na esperança que eles também leiam…rsrs). Em continuação a série sobre comportamento infantil, hoje conversaremos sobre a tão assustadora BIRRA!!!! Aonde quer que exista criança, lá estará ela, desde o filho do lorde inglês até o pequenino morador do sertão nordestino todos são candidatos à se jogarem no chão, darem show no mercado ou berrarem em lugares públicos (principalmente) depois de terem ouvido um NÃO ou diante de fatos do dia-a-dia como o pai não comprar o brinquedo desejado ou o doce que eles tanto queriam.

Vamos entender um pouquinho como esse fenômeno, muitas vezes, ASSUSTADOR acontece.

Uma parte do cérebro (emocional) é responsável pela estrutura que desperta emoções fortes, como raiva, medo e estresse associado à separação. Já a parte (racional) conduz o pensamento racional, a capacidade de solucionar problemas, criatividade e imaginação, composta pelos lobos frontais que só alcançam maturidade plena por volta dos 25 anos de idade. “É uma das últimas partes do cérebro a se desenvolver, e permanece em constante construção durante os primeiros anos da vida”, diz o pediatra e psiquiatra americano Daniel Siegel. Logo, tomar decisões equilibradas, ter controle emocional e capacidade de prever as consequências de seus atos, são comportamentos quase impossíveis para as crianças, afinal isso dependeria de uma fatia do cérebro que AINDA está em formação.

Uma crise de birra significa que um dos três alarmes foram acionados no cérebro: raiva, medo ou temor da separação. Neste momento ocorre um bloqueio entre as partes emocional e racional do cérebro, como se um portãozinho fosse fechado impedindo essa conexão. Então, além de estarem em desenvolvimento, ainda se tornam inacessíveis para as crianças no momento da birra.

E agora, talvez você esteja se perguntando: então quer dizer que as birras vão acontecer mesmo e não tem o que fazer? CALMA, em geral as birras vão sim acontecer (algumas podem ser evitadas) mas devem ser controladas. Já que as estruturas cerebrais não dão conta (neste momento) de solucionar o problema, a mamãe, o papai ou o cuidador que estiver presente no momento da birra pode SIM dar uma forcinha para o pequenino. Dar um abraço, ter empatia na expressão facial e um tom de voz carinhoso será de grande conforto para a criança, tentar traduzir em palavras o que ela está sentindo também ajudará a minimizar o estresse do momento, você será facilitador das conexões neurológicas do cérebro. Proponha alternativas para resolver o problema,distrair a atenção da criança para outra coisa também é uma possibilidade. Argumentar e tentar explicar por que não pode, dificilmente surtirá bons resultados nesse momento (já que ela não tem condições de pensamentos lógicos).

Deixe claro para a criança os limites, mostre até onde ela pode ir. “Eu sei que você ficou chateado com seu amigo, mas não pode morder, dói!!!”

Uma outra dica valiosa para diminuir as birras é que os pais controlem a si mesmo também, segundo o neuropediatra Mauro Muzkat, da Unifesp, o estado emocional do papai e da mamãe atinge diretamente a criança, pois elas reproduzem desde as expressões até as sensações vividas dentro de casa. Essas dicas surtirão efeitos para o resto da vida dos pequenos.

E se depois de já ter tentado tudo isso e nada mais funciona: coloque o pequeno pra correr!!!!! Estou FALANDO SÉRIO. Atividade física pode alterar a química cerebral evitando que o estresse comande a situação. Uma outra maneira também de evitar a birra é levar em conta e respeitar os limites das crianças, compras durante horas, fome, não poder dormir quando estão com sono são prováveis ativadores de surtos de birra. Antes de sair de casa, se possível, explique para onde vão (caso você ache que episódios de birra possam acontecer), como o pequeno deve se comportar e quais as consequências positivas e negativas caso isso aconteça.

O fato de algumas crianças serem mais birrentas que outras está sim ligado à personalidade, mas também a reação dos pais influência e muito. A birra é uma tentativa de testar os pais e chamar atenção para que suas vontades sejam atendidas, logo, virar as costas e continuar o que estava fazendo é sem dúvidas uma maneira de frustrá-las. Se estiver em lugar público e isso não funcionar leve o pequeno para outro lugar (se possível para casa), porém se a criaturinha estiver fazendo algo para machucar os outros ou a si mesma interrompa imediatamente, diga “NÃO” com firmeza (por favoooorrrrr, não grite ou seja violento).

Para Içami Tiba “as crianças precisam passar pelo estresse de perder a segurança na hora da birra… se ela sentir insegura, MUDA”…. ohohohoh BELEZA

Queridas e queridos, um outro fator que também está relacionado com a birra diz respeito aos afetos e vínculos, mas isso é uma outra longa história que daria um post inteiro só sobre este fator!!!!!!

Aline Salgueiro
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